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RMC registra 8 mortes de ciclistas em 30 dias; 6 em Curitiba. Quantos mais, Sr. Prefeito?

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Capacete da ciclista Mari Kakawa no local do atropelamento. (Foto: Joacir Klein)

Capacete da ciclista Mari Kakawa no local do atropelamento. (Foto: Joacir Klein)

Um…dois…três…quatro…cinco…seis…sete…oito…

OITO ciclistas perderam a vida nas ruas de Curitiba e municípios da Região Metropolitana nos últimos 30 dias segundo levantamento da Associação de Ciclista do Alto Iguaçu (CicloIguaçu). A vítima mais recente é o artista plástico Alessandro Rüppel Silveira, o Magoo, que morreu na noite de sábado ao ser atropelado pelo motorista de um caminhão no bairro Ahú. O condutor fugiu sem prestar socorro à vítima.

Até o momento, a única resposta da Prefeitura de Curitiba, que concentrou 6 das 8 mortes, foi um post expressando pesar em sua página de humor-institucional nas redes sociais. É o que em comunicação se chama de administração de crise.

Fora isso, nenhum plano de ação concreto com anúncio de obras e cronogramas de execução. Nenhuma medida enérgica, como aumento na fiscalização, para conter a carnificina motorizada. Nenhum plano estratégico para zerar as mortes nas ruas da cidade. Nada além do discurso vazio de que “estamos avançando aos poucos”.

Ghost Bike em homenagem à Mari Kakawa. (Foto: Joacir Klein)

Ghost Bike em homenagem à Mari Kakawa. (Foto: Joacir Klein)

Quantos mais precisam morrer para que a Prefeitura venha a público com planos efetivos? O que mais é preciso acontecer para que a Setran passe a aplicar o Código Brasileiro de Trânsito em sua integralidade, em especial nos artigos que protegem os mais vulneráveis?

Se oito (ou seis, como queiram) mortes não bastam, quantas mais, Senhor Prefeito Gustavo Fruet? Dez? Doze? Qual o limite de mortes de ciclistas aceitável para a sua administração?

Quando assumiu a direção da Secretaria Municipal de Trânsito em agosto de 2013, a secretária Luiza Simonelli, questionada pelo Ir e Vir de Bike sobre seu compromisso em relação à efetiva fiscalização e autuação em caso de descumprimento dos artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que protegem os ciclistas, disse que essa é uma obrigação do agente de trânsito. “Uma vez constatada a infração, obviamente o motorista será multado. Vamos fazer a orientação quando possível, mas, uma vez desrespeitado o direito e colocado em risco a integridade de alguém, é claro que o motorista vai ser multado”, disse à época.

Oito mortes em 30 dias: o saldo da omissão.

Oito mortes em 30 dias: o saldo da omissão. (Arte: Guilherme Caldas)

Os números, no entanto, provam que a secretária e a prefeitura foram omissas neste sentido, já que no último ano, apenas seis motoristas foram multados por desrespeito aos ciclistas segundo informações da própria Setran.

E enquanto ciclistas estão morrendo, a Prefeitura coloca metade do contingente de 356 agentes de trânsito para tomar conta de veículos estacionados. Uma inversão de prioridades que não condiz com o rótulo de Cidade Humana que se tenta, em vão, colar na cidade.

Uma coisa é certa. O teflon que antes não deixava nada colar na imagem do “prefeito-simpaticão&amigo-da-bicicleta” se desgastou, arranhado pela letargia administrativa e pelo recorde sinistro de oito mortes em 30 dias. Nas manifestações em homenagem à ciclista Mari Kakawa, pode-se ver cartazes citando nominalmente Gustavo Fruet, cobrando dele as promessas de 300 quilômetros de ciclovias da campanha e o compromisso por um trânsito mais seguro. Com bem menos sangue espalhado no asfalto, o ex-prefeito Ducci perdeu o sono e a tranquilidade por várias vezes. E, quando pressionado, ao invés de post no Facebook, criou um gabinete de crise para dar respostas e apresentar soluções.

Na manifestação deste domingo renasceu a esperança. Havia gente nova pedalando, novos rostos e novas lideranças. Havia também a já velha e surrada indignação, pendido por trânsito mais seguro e mais humano na nossa cidade. Vozes que estavam entaladas e grito que estava engasgado na garganta finalmente saíram, em um coro ainda um pouco rouco pela dor e pela tristeza profunda pelos oito colegas que tombaram injustamente. Mas essas vozes também disseram: JÁ BASTA!!!

É passada a hora de a Prefeitura e todos os responsáveis pela gestão do trânsito da cidade darem respostas efetivas apresentando soluções práticas para acabar com as mortes no trânsito. O limite chegou ao intolerável há cerca de 30 dias, quando a contagem de cadáveres passou do zero para um…

Atualização

O número de vítimas foi contabilizado por entidades cicloativistas com base em informações da imprensa, registros de atendimento de emergência e relatos de parentes das vítimas na área de atuação da CicloIguaçu. Uma das oito vítimas morreu baleada enquanto pedalava em uma tentativa de assalto de sua bicicleta. A contagem tem como critério ciclistas que morreram enquanto pedalavam. A prefeitura de Curitiba reconhece e trabalha com o número de seis vítimas fatais por acidentes de trânsito com base no número de atendimentos feitos pelo Siate do Corpo de Bombeiros e dados do Projeto Vida no Trânsito desde 6 de janeiro. Na lista de vítimas elaborada pela Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu estão:

21 março – vítima não foi identificada, aparentava ter cerca de 30 anos de idade na Av. Rui Barbosa (S. José dos Pinhais).

26 de março – Fabio Boquetti, 35 anos, morreu baleado durante um assalto na Estrada da Graciosa (Pinhais).

31 de março – a vítima não foi identificada, aparentava ter cerca de 31 anos na Av. Manoel Ribas (Curitiba).

1 de abril – Clodoaldo, 32 anos em Campo do Santana (Curitiba).

7 de abril – José Acácio, 46 anos na Br – 277 (Curitiba).

10 abril – Mari Kakawa, 40 anos na Av. das Torres (Curitiba)

14 abril – (nome não divulgado pela impressa) Br – 277 nas proximidades do viaduto do Orleans (Curitiba).

18 abril – Alessandro Ruppel Silveira, (Magoo) 44 anos as 21hrs na R: Brasilino Moura – Ahú (Curitiba).

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