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Acabou a lua de mel entre os ciclistas e a prefeitura de Curitiba

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fruet-bikeO clima de lua de mel entre os ciclistas de Curitiba e a administração pública municipal azedou e está dando lugar a uma séria discussão de relacionamento (DR) entre as partes, com prenúncio do que pode vir a ser um divórcio definitivo.

Isso porque, as promessas e juras de amor eterno, simbolizada pelo prefeito simpático à causa e que foi tomar posse de bicicleta, não se converteram, até o momento, em ações práticas que promovessem uma melhoria sensível à mobilidade por bicicletas na cidade.

Chegando praticamente ao meio do mandato, a gestão municipal apresentou apenas um Plano Cicloviário – e não um Plano Diretor Cicloviário – prevendo 300 quilômetros de vias cicláveis, sem, no entanto, se comprometer com prazos e indicar de onde sairão os recursos para financiar essas obras.

Para quem vê o assunto sem as paixões partidárias, fica a sensação de que, plano por plano, o de agora apenas repete outro apresentado pelo Ippuc em agosto de 2011, sob a gestão anterior, que previa 400 quilômetros de vias cicláveis na capital paranaense. Há até mesmo quem diga que a grande mudança foi apenas do nome Maria para o de Antônio na assinatura dos projetos do órgão de planejamento.

Fora isso, os avanços na área de ciclomobilidade se resumem praticamente à execução de obras previstas por Ducci – como a Avenida Comendador Franco —, uma “via acalmada” de 4,5 quilômetros na 7 de Setembro e uma praça construída em regime de mutirão pelos próprios ciclistas no centro da cidade.

Há quem considere isso um avanço. Mas há quem entenda que é pouco, ou quase nada se comparado ao plano apresentado pela cidade de São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad se comprometeu a concluir e inaugurar um trecho de ciclovia por mês, totalizando 400 novos quilômetros até o fim de seu mandato em dezembro de 2015. Lá, o poder público não teve medo e resolveu tirar vagas de estacionamento das vias para dar espaço aos que pedalam.

Já em Curitiba, o prefeito insiste em repetir seu discurso de campanha dizendo que “a questão da bicicleta não tem volta” enquanto o presidente do Ippuc garante que “não há pelo que se preocupar, pois tudo está garantido” — sem, no entanto, dizer de onde virá o dinheiro para executar os 300 quilômetros prometidos até 2016.

Essa aparente letargia começa a polarizar os ciclistas na cidade. De um lado, um grupo começa timidamente a cobrar e demandar respostas mais efetivas, tendo em vista a presença de pelo menos três cicloativistas em cargos comissionados na prefeitura que juntos custam mais de R$ 30 mil por mês aos cofres públicos. De outro lado, alguns tentam apagar os incêndios e insatisfações, mas o argumento de que a gestão está “arrumando a casa” tem menos aderência a cada dia que passa. Dentro da própria Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), entidade que faz a interface dos ciclistas de Curitiba com o poder público, há quem confesse estar desconfortável no papel de defender a gestão municipal a qualquer custo.

Para a sorte de Fruet, essa opção da entidade ciclística pelo diálogo colaborativo e amistoso com o poder público teve o efeito colateral de desmobilizar completamente a Bicicletada, maior termômetro da capacidade de mobilização do cicloativismo em qualquer cidade. O movimento está respirando por aparelhos em Curitiba: há dois anos, o evento reunia centenas de entusiastas das duas rodas. Hoje, quando muito, coloca meia-dúzia de bicicletas nas ruas no último sábado de cada mês.

Mas uma informação que circula nos bastidores do Ippuc pode ser um fator para reaglutinar as forças do movimento. Lá, já se diz abertamente que “muito dificilmente” Fruet cumprirá com a promessa de implementar os 300 quilômetros de estrutura cicloviária até 2016. O plano B tem sido justificar que a tarefa é garantir projetos de boa qualidade agora para serem implementados em um eventual segundo mandato.

Nesta semana, um episódio revela de forma simbólica o clima atual entre quem pedala e quem ocupa os gabinetes da administração pública. Em um grupo de discussão por e-mail da CicloIguaçu, um cicloativista cobrou um compromisso sério da prefeitura e questionou a ausência de cronogramas, prazos e fontes de financiamento. Em resposta, o assessor da presidência do Ippuc, Antônio Miranda, responsável pelos projetos de ciclomobilidade, atribuiu a lentidão a uma suposta “oposição carrocrata” dentro do órgão e sugeriu ao autor das críticas: “Se não gosta de nada disto, se nada é muito sério para você, muda de cidade, muda de país, companheiro.”

O discurso oficial do “Ame-o ou Deixe-o”, típico dos governos militares, dá o tom de uma guerra fria que tem tudo para esquentar até 2016. Quem pedala verá…

miranda-ippuc

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