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Após mortes, Fruet se reúne com familiares de vítimas e prefeitura anuncia novas obras

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Hermann Friedrich, viúvo de Mari Kakawa, em encontro com o prefeito Gustavo Fruet. (Reprodução)

Viúvo de Mari Kakawa em encontro com o prefeito Gustavo Fruet. (Reprodução)

O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), se reuniu na tarde desta quarta-feira (22) com familiares de alguns dos ciclistas que morreram vítimas de acidentes de trânsito nas ruas da cidade nos últimos dias. O encontro, que ocorreu sede da prefeitura, também contou com a presença gestores das áreas de trânsito e de mobilidade além de representantes dos ciclistas.

A reunião ocorreu após a morte de seis ciclistas nas ruas da capital entre os dias 21 de março e 18 de abril. Outras duas mortes também foram registradas em municípios da Região Metropolitana, totalizando oito vítimas neste período.

O Ir e Vir de Bike teve acesso exclusivo ao áudio com a íntegra do encontro. Clique no player abaixo para ouvir.

“O objetivo [desta reunião] é para deixar bem claro nossa permanente preocupação com essa questão da segurança (…). Essa uma batalha que a gente assumiu em Curitiba e é uma luta diária. É um processo de civilização e as vezes me dá a impressão que a gente está perdendo a batalha para a barbárie”, disse Fruet no início da reunião.

O prefeito disse ainda que o trânsito é uma das brigas que “comprou” em Curitiba e citou investimentos na ampliação das ciclofaixas, das ciclovias e das campanhas educativas mesmo diante da restrição orçamentária. “Toda vez que acontece um acidente em Curitiba eu me sinto meio vítima e meio cúmplice. Parece que sempre tem que ter um responsável e se a gente não toma posição parece que a gente está se omitindo em um caso destes. Todo mundo [da equipe] se abate, isso tem um símbolo para agente muito forte”, declarou prestando solidariedade aos familiares dos ciclistas mortos.

Placa de sinalização encoberta em local de acidente fatal. (Foto: Joacir Klein)

Placa de sinalização encoberta em local de acidente fatal. (Foto: Joacir Klein)

“A gente precisa que a prefeitura se empenhe no sentido de fazer uma melhor sinalização. No local em que a Mari foi atropelada a placa de sinalização está encoberta por uma árvore”, lembrou uma colega da ciclista presente na reunião.

“[O motorista] preferiu ganhar um segundo, que é o tempo que uma pessoa demora para atravessar aquela faixa. Se o motorista tivesse freado e dado seta ao entrar (na alça de acesso), teria diminuído seu tempo em dois segundos, e ela teria conseguido passar. Não temos motoristas, temos pilotos”, reclamou o viúvo de Mari Kakawa, Hermann Friedrich. “Eu vou continuar uma briga com a prefeitura, o estado para que a morte da minha esposa e do irmão da Ana Rosa não seja simplesmente a de pessoas anônimas. Quero que a morte dela sirva para engajar as pessoas para salva uma outra Mari, um outro João ou um Zé Ninguém”, disse Friedrich. “Vou cobrar seja de quem quer que seja uma forma de educar o povo para que tudo que esta ocorrendo seja passado. Vou fazer do meu futuro e das pessoas ao meu redor um movimento pela vida sempre”, completou.

Ana Rosa Silveira, irmã do ciclista Alessandro Rüppel Silveira, o Magoo, também presente na reunião, lembrou do importante papel da educação e reclamou da falta de punição aos infratores. “Em todos os países mais desenvolvidos não precisa de leis específicas para ciclistas e pedestres, pois todo mundo respeita. No Brasil, há o sentimento de impunidade”, disse.

Ao ouvir os pedidos de inclusão de redutores de velocidade nas vias, Fruet disse que há questionamentos quando é feita a inclusão de lombadas nas vias públicas. Segundo o prefeito, a administração pública responde a mais de 60 processos na Justiça, uma delas exigindo a retirada dos semáforos da Avenida das Torres.

Fruet sinalizou ainda a intenção de endurecer a fiscalização. “É uma mescla. É um trabalho de educação, mas há um trabalho de repressão, permanente. É assim nas grandes cidades. A multa é elevadíssima e não tem discussão, a culpa é presumível. É difícil dizer o que é mais importante. Caminham juntos.”, disse. Curitba, no entanto, é omissa na quando a questão envolve ciclistas. Levantamento do Ir e Vir de Bike mostra que, em 2014, apenas 6 motoristas foram multados em Curitiba por desrespeitar os artigos do Código de Trânsito Brasileiro que protegem os ciclistas.

Redes Sociais

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Post da Prefeitura no Facebook: mea culpa. (Reprodução)

Na tarde de hoje (22), a prefeitura voltou a se manifestar sobre as mortes de ciclistas em seu perfil no Facebook. A nota, afirma que a administração municipal está se esforçando para que os ciclistas encontrem em Curitiba um ambiente cada vez mais seguro com a implantação de ciclovias, ciclorrotas, ciclofaixas, paraciclos e muita informação sobre o tema.

“Apesar disso tudo, as fatalidades mostram que o esforço precisa ser redobrado tanto pelo poder público quanto por motoristas e ciclistas. A responsabilidade é de todos, e é muito grande. Afinal, estamos lidando com o maior de todos os patrimônios: a vida”, diz o texto.

Pacote de obras

Hoje a prefeitura também anunciou que colocou em andamento o processo de concorrência pública para a elaboração de projetos executivos de engenharia para três novas estruturas cicloviárias na cidade: a primeira parte da Microrrede da CIC, com 21,3 quilômetros; a Rota Pinhais-Centro de Curitiba, com 7,62 quilômetros; e novos dois novos trechos do Circuito Interparques, com 1,9 quilômetro. No total, serão licitados projetos executivos para 30,8 km de novas estruturas cicloviárias.

O edital para contratação dos três projetos tem valor total de R$ 1,29 milhão e a apresentação das propostas será feita dia 22 de maio, às 14h30min. Confira os detalhes dos projetos.

Veja os detalhes dos projetos

Protesto

Reunião criou o Grupo de Trabalho Morte Zero no Trânsito. (ACN/Ir e Vir de Bike)

Reunião criou o Grupo de Trabalho Morte Zero no Trânsito.

A Associação de Ciclistas do Alto-Iguaçu está convocando os ciclistas de Curitiba e Região Metropolitana para um protesto na próxima sexta-feira. O ato, em memória dos oito ciclistas mortos recentemente, terminará em frente a prefeitura, no Centro Cívico, com um ato simbólico e a entrega de uma carta de reivindicações ao prefeito e a proposição de um amplo pacto para evitar mais mortes no trânsito. O ato foi decidido em reunião extraordinária da entidade, que instalou o Grupo de Trabalho Morte Zero no Trânsito na última terça-feira.

O documento deverá exigir propostas concretas do poder público frente aos últimos acidentes e soluções emergenciais para evitar futuras tragédias, tais como o aumento da fiscalização e punição aos motoristas que desrespeitam os ciclistas no trânsito e uma ampla campanha de educação voltada aos ciclistas, com a formação de uma frente ampla de grupos de pedal, entidades e associações ciclísticas.

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