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Ciclista é atropelada por ônibus biarticulado em Curitiba

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“O matador do trânsito”, na visão do cartunista Andy Singer. Em Curitiba, já são 17 ciclistas mortos desde o início do ano.

Nesta segunda-feira (29), foi registrado mais um acidente envolvendo um ciclista no trânsito de Curitiba. É o terceiro acidente grave em menos de dez dias.

A ciclista Fabiana Marques, de 24 anos, foi atropelada por um ônibus biarticulado da linha Boqueirão-Carlos Gomes, na esquina da Avenida Sete de Setembro com a rua Lourenço Pinto, no centro da cidade.

A ciclista foi atendida pelo serviço de emergências do Corpo de Bombeiros (Siate) e encaminhada ao Hospital Cajuru em estado grave. Felizmente, de acordo com informações do hospital, reproduzidas em um rádio local, ela não corre risco de morrer.

Pacificação
Uma das grandes demandas dos ciclistas, não só em Curitiba, é a necessidade de campanhas que pacifiquem o trânsito entre bicicletas e demais veículos nas ruas.

O Código Trânsito Brasileiro garante o direito das bicicletas circularem pelas ruas e transferem ao motorista a responsabilidade de zelar pela segurança dos veículos não motorizados, resguardando uma distância segura de 1,5 metro durante a ultrapassagem.

Quem pedala, entretanto, sofre de uma “invisibilidade-crônica”. E a situação é ainda mais crítica quando envolve ônibus e táxis –dois serviços controlados pelo poder público municipal (ao menos em tese). Quem usa a bicicleta para ir e vir sabe o que isso significa.

Uma campanha de educação direcionada a esses motoristas profissionais, com base no respeito e no compartilhamento das vias públicas, seria um grande passo em direção a um trânsito mais civilizado e menos violento.

Guerra no trânsito
Sempre que a questão do compartilhamento das ruas e da disputa por espaço é levantada pelos ciclistas, aparece um ou outro motorista acusando usuário de bicicleta de “radicalizar” o debate com a tese da “Guerra no Trânsito”.

Particularmente refuto com toda veemência a essa tese. E a razão é simples: não há guerra no trânsito porque o conceito clássico da guerra pressupõe uma disputa entre duas forças que se reconhecem como inimigas.

A Convenção de Genebra também define, através de leis, os limites para os lados em conflito. Além disso, a guerra, tal como descreve o grande estrategista militar e teórico Carl von Clausewitz “pode ser legítima”.

Pelo bom senso, portanto, o que há no trânsito ultrapassa a noção de guerra, já que os ciclistas não reconhecem os motoristas como inimigos; e mesmo se o fizessem, são mortos sem a menor chance de defesa.

Já a lei que define essa relação — justamente para evitar um conflito, é solenemente ignorada pelo lado motorizado. Se fosse respeitada, não haveria conflito.

A morte de ciclistas também não pode ser legítima, sob nenhum aspecto. Em 2008 foram 181 mortes de ciclistas em todo o Paraná. Neste ano já são 17 mortes em Curitiba, apenas em Curitiba.

O estado é o segundo mais violento para quem pedala, perdendo apenas para São Paulo, segundo o estudo “O Mapa da Violência”, do Instituto Sangari.

O levantamento não registra nenhum caso de motorista ferido gravemente por um ciclista com pressa. Não há, portanto, guerra no trânsito. O que há é um verdadeiro massacre e é preciso que cada condutor de ônibus, taxi ou automóvel saiba que tem nas mãos uma verdadeira arma.

Atualização

Através do Twitter, Thaissa Mendes, amiga de Fabiane, informa que a ciclista apenas quebrou o braço no acidente. “Mas o massacre de ciclistas continua no trânsito. Melhoras Fabi!”

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