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Ciclista morre atropelada na Avenida das Torres. Ou, A Crônica de Outra Morte Anunciada

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“Hoje pela manhã estava indo para o serviço e vi um atropelamento de um ciclista. Parecia ter sido grave. Cheguei ao trabalho e espalhei o ocorrido nas redes sociais para saber se conseguia obter mais informações. Alguns amigos de trabalho da ciclista entraram em contato comigo e me disseram que havia sido grave e que ela havia ido para o hospital com traumatismo craniano e outras fraturas e passava por cirurgia.

Há pouco, recebi a notícia do falecimento da ciclista. Os mesmos amigos me avisaram que ela não resistiu à cirurgia. O acidente foi na Av. das Torres logo na alça de acesso para a Linha Verde, sentido Centro.  

Pelo fato de ter visto o acidente e ser ciclista, me senti intimamente ligada pela situação, pois pedalo no mesmo local quase que diariamente.”

Alça de acesso à Linha Verde, na Avenida das Torres, onde a ciclista Mari morreu atropelada.

Alça de acesso à Linha Verde, onde a ciclista Mari morreu atropelada.

O relato acima, sobre a morte da ciclista Mari Kakawa, chegou ao blog por meio de uma mensagem no perfil do Ir e Vir de Bike nas redes sociais. A informação, repassada pela ciclista Patrícia Victor, choca. Mas não surpreende.

Como a própria ciclista lembra na mesma mensagem, o blog havia feito uma vistoria na ciclovia da Av. das Torres após a inauguração e apontado que as alças de acesso representam risco à vida dos ciclistas. “Eu li aquilo na época e concordei, pois já pedalava por lá. Pois bem, hoje a tragédia aconteceu”, lembra Patrícia.

De fato, não é preciso ser técnico-especialista do Ippuc ou cicloativista para perceber que o trecho em questão é uma arapuca, uma armadilha mortal para os ciclistas. Os carros entram na alça de acesso em alta-velocidade e têm a visão encoberta por placas e postes de sinalização. Era só questão de tempo para acontecer uma tragédia ali. Aconteceu.

Qualquer vistoria in loco da Prefeitura, feita com o mínimo de seriedade e boa vontade, poderia ter identificado e solucionado esse problema antes com a implantação de uma lombada ou travessia elevada para reduzir a velocidade dos carros no trecho. Mas…(aqui, cada um que complete a frase mentalmente de acordo com a sua consciência e/ou como julgar mais adequado). Mas uma coisa é inegável: a engenharia mal-feita e a omissão da Prefeitura de Curitiba contribuíram para causar a morte da ciclista Mari Kakawa tanto quanto o motorista que pisava no acelerador no momento da fatalidade.

Agora que alguém morreu, além das desculpas oficiais de praxe, pode ser que o poder público faça alguma intervenção no local. Porém, para a família e os amigos que agora choram, já será tarde demais. Está escrita, com o sangue de uma ciclista no asfalto, mais uma crônica de outra morte anunciada nas ruas de Curitiba…

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