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Costa Verde & Mar oferece o melhor das praias e do interior catarinense

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Trecho íngreme no Morro do Estaleiro. (Foto:IVB)

Trecho íngreme no Morro do Estaleiro. (Foto:IVB)

Se você busca uma boa opção de aventura no pedal para este verão, mas ainda não decidiu se prefere ir à praia ou ao campo, o Circuito Costa Verde & Mar, em Santa Catarina, aparece como o destino ideal para resolver a questão. Com cerca de 280 quilômetros de extensão, o roteiro de cicloturismo autoguiado oferece algumas das praias mais paradisíacas do Sul do país e cenários bucólicos do interior a poucas pedaladas de distância de um local ao outro.

No último fim de semana de novembro, eu e minha esposa, Andreza, fomos até a Santa e Bela Catarina para conhecer de perto este roteiro, que passa por 10 municípios — sendo 7 no litoral e 3 no interior.

Oficialmente, a aventura começa em Balneário Camboriú, mas por uma questão de logística, decidimos iniciar a pedalada em Itajaí. Aqui vale um adendo: a empresa de ônibus Catarinense não cobra taxas pelo transporte das bicicletas. Entretanto, a companhia se reserva o direito de transportar apenas duas bicicletas por viagem e, a depender do humor do motorista, pode exigir que as rodas sejam retiradas do quadro para facilitar a acomodação no bagageiro do veículo.

Iniciamos a aventura a partir da rodoviária de Itajaí, pedalando em uma ciclovia até a orla. Para chegar ao município de Navegantes é preciso pegar o ferry-boa, que opera o dia inteiro. O custo para fazer a travessia de bicicleta é de R$ 1,30 por pessoa.

A partir de Navegantes, começa um longo trecho de ciclovia beirando as praias do Norte catarinense. Em seguida, saímos da beira-mar para começar a aventura por estradas de terra, subindo e descendo alguns morros em meio a trechos de Mata Atlântica. Alguns pontos do trajeto possuem belos mirantes que oferecem uma vista espetacular da Praia Brava e seus rochedos. Vale a pena encostar a magrela para desfrutar este visual por alguns minutos.

Mapa do trajeto (Reprodução)

Mapa do trajeto (Reprodução)

O roteiro segue passando por Penha e pelo Balneário Piçarras, beirando o parque temático do Beto Carrero Word. Oficialmente, a primeira etapa termina após 50 quilômetros em Piçarras. O circuito foi pensado para ser pedalado em seis dias, mas o roteiro pode ser feito em até três dias de pedal por ciclistas mais audaciosos ou com a agenda apertada. Ao programar a aventura, no entanto, é preciso considerar que as bicicletas estarão pesadas com alforjes e que não faz muito sentido apenas olhar para algumas das praias mais maravilhosas do país – é preciso reservar um tempo para desfrutá-las.

Pelo nosso cronograma decidimos cumprir duas etapas em apenas um dia e seguimos adiante em direção ao município de Luís Alves. E aqui ocorre uma das transições mais fantásticas de todo o circuito: nem bem atravessamos a BR-101 deixando o litoral para trás, o cenário muda drasticamente. O caminho segue em estradas de terra passando por plantações de arroz, bananais, criações de gado, rios e sítios.

Nossa etapa terminou no município de Ilhota depois de 124 quilômetros pedalados em um dia. A ideia inicial era a de pernoitar em um camping, mas, por conta do excesso de paradas para curtir o dia, acabamos chegando à balsa de Ilhota (gratuita) já quase no fim do dia. Como estávamos cansados, com as bicicletas pesadas e ainda teríamos que percorrer mais 15 quilômetros em estradas de terra fora da nossa rota, optamos por pedir para acampar no Corpo de Bombeiros de Ilhota.

Mas, ao invés de sermos autorizados a armar a barraca no terreno do batalhão, fomos convidados pelo comandante Thiago a passar a noite no alojamento e a jantar com os bombeiros.

Essa foi uma experiência à parte, não apenas pela forma solidária com que eles nos ajudaram, mas principalmente pela chance de poder ver de perto o trabalho destes verdadeiros heróis. O Corpo de Bombeiros de Ilhota é voluntário e se mantém apenas com a dedicação de homens e mulheres que se dedicam a salvar vidas não por um salário, mas pela simples vocação de ajudar os outros. Isso ocorre dia a dia, no socorro de acidentados na rodovia, ou em situações críticas como em 2008, quando os bombeiros da cidade tiveram um papel fundamental no auxílio às vítimas da terrível enchente que atingiu aquela região.

Confira as fotos da viagem

Na manhã seguinte, seguimos por estradas secundárias rumo à Camboriú (não confundir com Balneário Camboriú). Faltando cerca de 10 quilômetros para chegarmos à cidade, pouco antes do almoço, tivemos de encarar um grande imprevisto. Ao passar muito rápido por um desnível na pista, o peso do alforge quebrou o bagageiro de alumínio da bicicleta da Andreza em três partes (!). Literalmente no mato sem cachorro, foi preciso improvisar à la McGyver com pedaços de arame retirados de uma cerca para prender o suporte e passar quase toda a carga para a minha bicicleta até chegarmos em Camboriú. Por sorte, lá encontramos uma bicicletaria e pudemos instalar uma bagageiro novo e seguir viagem.

Depois de Camboriú, é preciso encarar o Morro do Encano, bastante exigente, mas com muito verde onde é possível observar flores e pássaros da Mata Atlântica. Depois de uma longa descida, chegamos à praia de Itapema onde voltamos a pedalar à beira-mar. O local pede uma parada estratégica para um mergulho revigorante.

De Itapema seguimos sempre por ciclovias por Meia-Praia, Perequê, Porto Belo, Bombas e Bombinhas, onde encerramos nossa segunda etapa. Em Bombinhas, ficamos em um camping e decidimos tirar um dia livre para descansar e aproveitar as belezas das praias da região e explorar as trilhas do local.

No quarto dia de viagem pedal e terceiro e último dia de pedal, encontramos o dia mais puxado de todos por conta da topografia cheia de morros – Antenas, Areal e Estaleiro — com forte inclinação combinada a um sol escaldante.  Mas os cenários, por sua vez, são deslumbrantes, com praias convidativas de águas claras e areias douradas como Taquaras, Laranjeiras e Pinho (boa para quem quiser se aventurar no mundo do nudismo!).

Em seguida, chegamos a Balneário Camboriú, a “Dubai Tupiniquim”, cidade badalada que concentra em sua curta orla cinco dos dez prédios mais altos do país. Atravessando o canal de balsa (gratuita), chegamos à Avenida Atlântica, que a poucos anos recebeu um ousado projeto cicloviário que tirou faixa de estacionamento dos carros para dar espaço às pessoas e bicicletas.

Depois de atravessar BC pela orla, percorremos os últimos 16 quilômetros até Itajaí, onde completamos o trajeto e encerramos essa maravilhosa aventura cheia de cenários deslumbrantes e paisagens incríveis que fazem cada pedalada valer a pena.

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