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Curitiba registra 7 ciclistas mortos em menos de um mês

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Tempos difíceis e trágicos para quem ousa usar a bicicleta nas ruas de Curitiba. Desde o dia 17 de março, a capital paranaense registrou pelo menos sete ciclistas mortos em acidentes envolvendo bicicletas e veículos motorizados. A média de uma morte a cada quatro dias é um índice sem precedentes na história da cidade e ocorre justamente em um momento que a administração pública investe na tentativa de construir a imagem de uma “Cidade mais Humana”.

Segundo levantamento do blog Ir e Vir de Bike no sistema de informações de acidentes do Corpo de Bombeiros do Paraná, neste período, foram atendidos 36 acidentes com ciclistas– uma média de um acidente a cada 17 horas. Deste total, três ciclistas foram hospitalizados em estado gravíssimo, com risco de morte.

Não é a bruxa que foi solta. Há um ano, quando as estatísticas já apontavam uma tendência de alta no número de mortes de ciclistas nas ruas da cidade em 2013 – primeiro ano da gestão Fruet — , a Prefeitura de Curitiba avaliou que “o aumento estaria relacionado à expansão no uso desse modal de transporte”.

Grupo de Trabalho

Em resposta aos acidentes fatais dos últimos dias, a Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu) criará um Grupo de Trabalho que busque formular propostas e soluções para a redução no número de acidentes envolvendo ciclistas. As reuniões serão realizadas às terças-feiras, as 19 horas, na sede da CicloIguaçu.

O argumento é uma clara confissão pública de incompetência da administração municipal em lidar com a questão da ciclomobilidade. Em qualquer cidade minimamente civilizada, o crescimento no número de ciclistas está relacionado ao aumento da segurança nas ruas. A morte de uma pessoa, portanto, não pode ser encarada como um simples efeito colateral a cada vez que o número de pessoas pedalando cresce cinco pontos porcentuais.

Na tarde desta quinta-feira (16), a Prefeitura de Curitiba veio a público e se manifestou sobre a recente chacina motorizada através de uma nota publicada sua página no Facebook. “A Prefeitura de Curitiba lamenta as recentes mortes de ciclistas, ocorridas no trânsito da cidade, mas faz mais do que lamentar”. O argumento é o de que, nunca antes na história desta cidade, houve uma equipe no Ippuc focada exclusivamente na bicicleta. A Prefeitura cita também a criação da Coordenação de Mobilidade Urbana, dentro da Secretaria de Trânsito (Setran), e garante que “o trabalho de elaboração e implantação de projetos cicloviários segue em várias frentes por toda cidade”.

Na contramão desta alegação, porém, há o fato de que o Ippuc possui 56 quilômetros de projetos de infraestrutura cicloviária completos, prontos para execução, mas que não têm um cronograma de obras. Os projetos não saem do papel ao esbarrarem na falta de orçamento.

E mesmo com sete vidas que se perderam no asfalto, ainda não se houve nenhuma conversa dentro dos órgãos da prefeitura sobre endurecer a fiscalização e autuar motoristas que desrespeitam a legislação de trânsito que protege os ciclistas. Algo perfeitamente possível, que ocorre em São Paulo. Na capital paulista, um motorista é multado a cada 21 minutos por colocar um ciclista em risco. Foram cerca de 25 mil multas desta natureza em 2014. Em Curitiba, no mesmo período, apenas seis motoristas foram multados com base neste tipo de infração segundo a própria Setran. Enquanto a prefeitura segue omissa neste sentido, o número de mortos segue crescendo em ritmo acelerado.

Mari Kakawa

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Mari Kakawa: advogada morreu quando ia trabalhar de bicicleta.

Nesta semana uma equipe da Setran esteve na Avenida das Torres, no local onde a ciclista Mari Kakawa morreu atropelada às 7h44 enquanto fazia o trajeto de sua casa para o trabalho na última sexta-feira (10).

Segundo Gustavo Garrett, da Coordenação de Mobilidade Urbana da Setran, as opções que serão avaliadas pelos técnicos do órgão para melhorar o local são: uso de radar móvel e presença de um agente no ponto “por um período”; reforço na sinalização (placas de advertência) e implantação de estrutura que reduza a velocidade dos veículos na alça de acesso à Linha Verde, como lombada ou travessia elevada de pedestres.

Hermann Friedrich, esposo da advogada, que esteve no local durante a vistoria, avalia que medidas pontuais não servirão para resolver o problema da insegurança para os ciclistas na cidade. “Minha mulher está morta e não volta mais. A Mari virou notícia porque era advogada, trabalhava na Copel. O João Ninguém, este, ninguém fica sabendo e não vira notícia quando morre”, aponta.

No próximo domingo, será realizada uma manifestação com a instalação de uma Ghost Bike no local do atropelamento em memória da ciclista. “A mensagem que quero deixar é: deixe a vida passar”, diz o viúvo.

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