Publicidade
Publicidade

Curitiba terá Centro com velocidade de tráfego limitada a 40 Km/h

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedintumblrmail
"Meme" da Prefeitura mostra área da Zona 40.

“Meme” da Prefeitura mostra área da Zona 40.

O motorista que trafegar pelas ruas e avenidas da região central de Curitiba terá de aprender a dosar o peso do pé direito. A partir de setembro, passa a vigorar a chamada Zona 40, que reduzirá a velocidade máxima permitida nas vias de 50 quilômetros por hora (km/h) para 40 km/h. A medida tem por objetivo aumentar a segurança de pedestres e ciclistas, reduzindo o número e a gravidade dos acidentes e atropelamentos na região.

O anúncio oficial da Zona 40 será feito no dia 18 de setembro. Conforme apurou o Ir e Vir de Bike, junto com o anúncio da redução da velocidade nas vias centrais da cidade, a Prefeitura também vai assinar um acordo com o governo da Holanda para questões urbanísticas e de ciclomobilidade. A parceria terá vigência de cinco anos e envolverá órgãos da administração pública e universidades locais e do país europeu.

A Zona 40 curitibana compreenderá um quadrilátero formado pela Av. 7 de Setembro, Av. Mariano Torres, Rua Inácio Lustosa e Rua Visconde de Nácar no Centro da capital paranaense. (Veja o mapa abaixo)

A ideia não é nova. Desde 2007, a redução da velocidade na região central vem sendo estudada e defendida internamente por técnicos dos órgãos de planejamento da prefeitura, mas o assunto sempre foi tratado como tabu e nunca foi encampado pelas administrações municipais.

E, desta vez, a proposta também sofreu resistências internas. A ideia inicial seria a de implantar uma Zona 30 – com velocidade máxima de 30 km/h –, mas houve oposição dentro da administração, que só aceitou avançar a proposta com o limite maior, de 40 km/h.

Cálculo político

1376655_729243397090348_1947263979_n

Tolerância com velocidade pode custar vidas (Reprodução: Gazeta do Povo)

Em termos práticos, essa diferença de “apenas” 10 km/h quadruplica as chances de que uma pessoa morra ao ser impactada por um veículo em um acidente – elevando de 10% para 40% a probabilidade de óbito da vítima. A 50 km/h, a chance de uma fatalidade sobe para 45%.

“Estamos falando da possibilidade de vida e morte, da chance de que uma pessoa sobreviva ou não em um acidente. As pessoas têm que ter ruas com limites de 30 km/h, 20 km/h, 15 km/h. Quando a administração pública impõe uma velocidade acima da escala humana, não se tem mais um espaço democrático. Essa decisão de limite é, acima de tudo, uma decisão política”, avalia consultor em políticas públicas de mobilidade Guilherme Tampieri, integrante da União de Ciclistas do Brasil (UCB).

“A partir de 40 km/h, não acredito que dê para compartilhar o espaço urbano com a mesma equidade. É muita velocidade para se ter todos os atores no mesmo espaço compartilhando e convivendo”, avalia. “Por que não compartilhar com velocidades compatíveis com a escala humana?”, questiona Tampieri.

Em Curitiba, os pedestres são as maiores vídimas dos acidentes de trânsito. Dos 222 óbitos registrados nas ruas da cidade no ano passado, 80 envolveram pedestres, segundo dados do programa Vida no Trânsito, coordenado pala Secretaria de Trânsito da prefeitura.

Publicidade