Publicidade
Publicidade

Índice de acidentes fatais envolvendo ciclistas volta a subir em Curitiba

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedintumblrmail
Alexander morreu a caminho da escola atingido por um caminhão na Linha Verde.

Alexander morreu a caminho da escola atingido por um caminhão que furou o sinal vermelho na Linha Verde em novembro de 2013.

O número de acidentes de trânsito que resultaram na morte de ciclistas voltou a subir nas ruas de Curitiba em 2013, quando a capital paranaense registrou em média um acidente fatal a cada 20 dias. Segundo dados levantados pelo Ir e Vir de Bike no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS), do Ministério da Saúde, foram contabilizados 18 óbitos de ciclistas nas ruas da cidade em 2013, 5,8% a mais que no ano anterior. Isso encerrou um período de cinco anos consecutivos de redução nos índices de fatalidade de ciclistas.

Entre os anos de 2008 e 2012, o número de acidentes que resultaram em mortes caiu de 38 para 17 – uma redução de 55% no período. Os dados de 2013 são os mais recentes disponíveis na base de dados do Sim/DataSUS. Os dados preliminares de 2014 só devem ser divulgados pelo governo federal no segundo semestre deste ano e consolidados em maio de 2016.

Com estes resultados, Curitiba pulou da 6ª posição em 2010 para a 4ª posição em 2013 no ranking das capitais brasileiras mais perigosas para os ciclistas, atrás apenas de São Paulo (40 mortes), Goiânia (34) e Brasília (33). Na comparação com as outras capitais da Região Sul, Curitiba é de longe a metrópole mais violenta e concentra 60% das mortes de ciclistas no trânsito, seguida por Porto Alegre (8) e Florianópolis (4).

Curitiba subiu duas posições no ranking de capitais mais perigosas para os ciclistas.

Curitiba é a 4.ª capital mais perigosa do país para quem pedala.

Na série histórica iniciada no ano 2001, o ano de 2002 foi o menos violento em Curitiba, com 14 acidentes fatais envolvendo ciclistas. O ano mais trágico foi 2005, com 44 mortes. No período, 346 ciclistas perderam suas vidas enquanto pedalavam pelas ruas da capital paranaense.

A prefeitura contesta os dados e diz que trabalha com o número de 14 mortes em Curitiba no ano de 2013. Este número do DataSus, entretanto, leva em conta o local de residência da vítima e não onde o acidente ocorreu de fato. Neste recorte, o caso de um trabalhador de Pinhais que morreu atropelado na Avenida Vitor Ferreira do Amaral acaba sendo computado para o município vizinho, ainda que o acidente tenha ocorrido em uma via dentro dos limites do município de Curitiba.

O coordenador de projetos da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) Adilson Lombardo, que faz parte da equipe da prefeitura no projeto Vida no Trânsito, diz que, apesar de um refluxo em 2013, a análise prévia dos números de 2014 já indicaria uma queda sensível no número de mortes.

Segundo ele, o órgão analisa cada acidente fazendo uma série de levantamentos dos principais fatores de risco, mapeando os pontos de acidentes graves e fatais para, a partir dai, trabalhar ações específicas de fiscalização, educação e engenharia.

Lombardo explica que o Vida no Trânsito trabalha com o conceito chamado de “Visão Zero Progressiva”. Na primeira etapa, o programa tem como meta reduzir pela metade o número global de mortes no trânsito registrado em 2010. No caso específico dos ciclistas, seria preciso reduzir o índice atual para 11 casos.

“Não se comemora o índice de mortes, mesmo quando ele cai, já que o custo social é muito mais alto. O que se busca em nível cultural é chegar ao nível da visão zero. Para isso, é preciso criar uma cultura de segurança no trânsito, um trabalho contínuo que é responsabilidade de toda a sociedade”, avalia.

Rio no caminho certo

tumblr_lrdmcsELK31qba011Enquanto Curitiba tornou-se mais letal para os ciclistas, o Rio de Janeiro, que em 2010 liderava o ranking ao lado de São Paulo, reduziu de 36 para 15 o número de acidentes fatais — uma queda de 58%.

Grande parte do sucesso na Cidade Maravilhosa se deve ao programa Rio Capital da Bicicleta, que mais que dobrou a infraestrutura cicloviária da cidade neste período – de 150 quilômetros em 2009 para 361 km em 2013. Além disso, o programa desenvolve ações permanentes de educação para o trânsito e incentivo ao uso do modal, que já corresponde por 5% dos deslocamentos na capital fluminense.

O especialista multidisciplinar em Trânsito Celso Mariano, lembra que nenhuma cidade no mundo conseguiu interferir nas preferências e hábitos de uso dos diferentes modais de transporte sem um plano bem fundamentado e estruturado. “A cultura do trânsito é muito forte, já que ela guarda íntima relação com a cultura geral da população, e não vai mudar espontaneamente, sem que um conjunto bem orquestrado, atrativo, racionalmente defensável, e de fácil compreensão por todos, baseado em restrições e estímulos, seja implementado”.

Segundo ele, para ter êxito, um programa deve mostrar que é interessante experimentar o outro modal, seja pelo conforto, praticidade, segurança ou economia. “As pessoas precisam se ver usando o outro jeito de se locomover – isto vale para todos – para perceberem que o direito e o respeito é devido à todos. Aí teremos a manifestação do bom senso e um trânsito mais cidadão e, consequentemente, menos violento”.

Como conseguir tudo isso? Celso Mariano tem a resposta na ponta da língua: “Com engenharia, educação e esforço legal. A receita é simples e bem conhecida, mas tem sido aplicada incompleta, com ingredientes ruins, sem capricho, profundidade e, o pior, sem a perspectiva de futuro necessária. Afinal, a cultura de um povo não muda da noite pro dia”, finaliza.

Publicidade
One Comment

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *