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Louise Sutherland: uma amazona sobre duas rodas

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A enfermeira neozelandesa foi a primeira pessoa a atravessar a Transamazônica sobre duas rodas em 1978.

A enfermeira neozelandesa foi a primeira pessoa a atravessar a Transamazônica sobre duas rodas em 1978.

Atravessar cerca de 4 mil quilômetros em uma estrada que recorta a maior floresta tropical do mundo é um desafio capaz de fazer tremer até no mais destemido dos aventureiros hoje em dia. Fazer isso sobre uma bicicleta, então, parecia algo impossível no fim da década de 1970, enquanto mal havia se assentado a poeira das máquinas que abriram a Rodovia Transamazônica (BR-230) no coração da selva, durante o auge da ditadura militar no Brasil.

Disposta a encarar a imensidão da floresta, a falta de abrigo, os animais selvagens, as temperaturas extremas e, principalmente, ignorando todas as advertências que diziam que essa aventura seria impossível, a enfermeira neozelandesa Louise Sutherland desembarcou em Belém do Pará em 1978 com seus alforjes, uma bicicleta Peugeot e uma coragem inexplicavelmente inabalável.

Aos 52 anos, Louise já havia dado praticamente uma volta ao mundo sobre duas rodas, em uma aventura que passou pela Europa, Oriente Médio, Índia, Estados Unidos, Canadá, China, Islândia e Peru. Entretanto, ele iniciou suas pedaladas na floresta desconhecida sem saber sequer remendar uma câmara furada no pneu da sua bicicleta.

A obstinação fez de Louise a primeira pessoa a atravessar a Floresta Amazônica de bicicleta. Naquela época, ela já chamava a atenção para questões como o desmatamento desenfreado, a abertura de novas fronteiras agrícolas e de pecuária intensiva na região e especulava sobre o impacto de tudo isso no equilíbrio do planeta.

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Louise a caminho do Brasil com a bicicleta que usou para atravessar a Rodovia Transamazônica.

A aventura inédita deu origem ao livro The Impossible Ride. Com o dinheiro dos direitos autorais, a enfermeira-aventureira financiou uma clínica móvel de saúde, instalada em uma Kombi que percorria toda a extensão da Transamazônica prestando atendimento primário às populações ribeirinhas e indígenas da Região Amazônica.

O projeto era tocado pelos estudantes de extensão universitária do Projeto Rondon e funcionou até o início da década de 1990, quando foi abandonado já no governo civil de José Sarney.

Durante toda sua vida, Louise pedalou mais de 60 mil quilômetros em 54 países – mas sempre frisou que a aventura amazônica foi sua jornada mais inesquecível. Aos 68 anos – após receber o Prêmio Golden Fish pelos serviços prestados ao Brasil e a Medalha de Serviço da Rainha, Louise morreu aos 68 anos na véspera do natal de 1994.

Seu livro, publicado no Brasil em 1992 pela Totalidade Editora com o título de A Viagem Quase Impossível, ainda pode ser encontrado em sebos. Pela internet, um exemplar custa entre R$ 9 e R$ 39,90 no site da Estante Virtual.

Expedição

logo-transamazonicaEm julho de 2015, o blog Ir e Vir de Bike vai percorrer o caminho pedalado por Louise Sutherland na Expedição Transamazônica de Ponta a Punta. O projeto visa promover uma série de reportagens sobre a Rodovia Transamazônica e a realidade atual da região. Acesse o site da Expedição, conheça os detalhes desta aventura e veja como ajudar o projeto.

 

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