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No ritmo atual, plano cicloviário de Fruet só será concluído em 2022

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Prefeito terá de acelerar ritmo de obras em 336% para cumprir promessa. (Reprodução)

Fruet terá de acelerar ritmo de obras em 336% para cumprir promessa.

Se mantiver o atual ritmo de implantação de obras cicloviárias, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), precisará de mais dois mandatos, além do atual, para tirar do papel suas promessas de campanha e entregar os 300 quilômetros de ciclovias previstos no Plano Estratégico Cicloviário de Curitiba, apresentado por sua gestão.

Desde que assumiu o Palácio 29 de Março, em 1.º de janeiro de 2013, a administração Fruet implantou 71,75 quilômetros de novas vias cicláveis – o que corresponde a 24% do plano, se considerada e aceita a contabilidade criativa da prefeitura, que multiplica por dois a quilometragem ao considerar os trechos cicloviários como ida e volta. A média é de 2,5 quilômetros de novas vias para bicicletas por mês. Na contagem linear da quilometragem –padrão internacional e métrica usada na cidade de São Paulo, por exemplo — foram implantados cerca de 33 quilômetros de novas vias, média de 1,17 quilômetro por mês.

Com 58% de seu mandato já cumprido, Fruet ainda terá pela frente 20 meses para implantar os 227 quilômetros restantes previstos no plano– o que exige acelerar em mais de 4 vezes o ritmo atual, para 11,35 quilômetros de novas ciclovias por mês. Caso mantenha sua média histórica, o prefeito terminará seu mandato em 2016 com 124,8 quilômetros de novas vias, o que representa apenas 41,6% do plano original. Neste ritmo, mesmo com a contabilidade criativa, as obras só ficarão prontas em agosto de 2022.  Com a medição linear, as obras ficarão prontas apenas em maio de 2034.  Vale lembrar que Fruet pode concorrer à reeleição para o período de 2017 a 2020, mas não a um terceiro mandato consecutivo para o período de 2021 a 2024.

Anunciado em setembro de 2013 pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Plano Cicloviário prevê, entre outras coisas, a implantação de 300 quilômetros de ciclovias e a recuperação integral dos 127 quilômetros da malha cicloviária curitibana até o fim de 2016.

Dentro da própria administração há pessoas envolvidas com a questão da bicicleta que, sob condição de anonimato, já reconhecem que será “praticamente impossível” cumprir a promessa dos 300 quilômetros até o fim do atual mandato. O discurso interno agora passa a ser o o de centrar esforços para ter todos os projetos prontos até 2016 a fim de concluí-los em um eventual segundo mandato de Fruet.

Aos poucos, essa mudança sutil no discurso também começa a permear as declarações oficiais. Em texto publicado no site da prefeitura, ao citar o plano cicloviário, o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires, fala em “recuperação de parte da malha cicloviária já existente”, e não mais em recuperação completa, como proposto na ocasião do anúncio do plano em setembro de 2013.

Na recuperação da infraestrutura existente, o ritmo é ainda mais lento que o da construção. Desde o início da gestão, Fruet requalificou apenas 4,6 quilômetros dos 127 quilômetros da malha existente.  As obras representam apenas 3,6% da meta. Neste ritmo, os ciclistas terão de esperar até fevereiro de 2077 para que a malha cicloviária existente em 2013 seja 100% recuperada.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a prefeitura confirma a intenção de implantar mais 300 km de vias cicláveis de cinco diferentes modalidades até 2016: vias calmas, ciclovias, ciclorrotas, ciclofaixas e passeios compartilhados entre ciclistas e pedestres. Também está prevista a recuperação ou requalificação de alguns trechos da estrutura cicloviária já existente. “Além disso, têm sido implantadas outras estruturas cicloviárias independentes, a partir da requalificação ou implantação de calçadas novas em algumas vias. Feitas em asfalto, essas estruturas são passeios compartilhados entre pedestres e ciclistas que não se conectam com a malha cicloviária. Essas estruturas independentes somam, atualmente, 19,65 km”, diz a prefeitura.

Quantos aos valores investidos até agora, a assessoria da prefeitura disse que é preciso fazer o levantamento junto à Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP), órgão responsável pela licitação e execução dessas estruturas.

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