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Prefeitura cria câmara técnica para discutir mobilidade pela bicicleta

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Nataraj (esq.) e Ducci: compromissos e câmara técnica para discutir uso da bicicleta em Curitiba

Escrevi ontem neste espaço que a reunião entre militantes do movimento cicloativista e o prefeito Luciano Ducci (PSB) não daria em nada. Mas, aparentemente, “caí da bicicleta”.

Após ouvir as demandas dos membros da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), o prefeito determinou a criação de uma câmara técnica para debater políticas e ações de suporte à mobilidade e segurança dos ciclistas na capital.

Ducci também definiu a inclusão da bicicleta no projeto de revitalização da Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico e se comprometeu com a implantação de paraciclos (estacionamentos para bicicletas) nas Ruas da Cidadania e terminais de ônibus da capital.

O presidente da CicloIguaçu, Goura Nataraj, considerou as decisões um avanço. “Isso demonstra o reconhecimento do poder público da importância de inserir o ciclista no contexto da mobilidade da cidade. Estamos muito satisfeitos”, avaliou.

Particularmente, entretanto, continuo cético, porém torcendo muito para quebrar a cara. Isso porque, não é a primeira vez que um prefeito de Curitiba manifesta boa vontade com os ciclistas – e depois acaba não fazendo nada.

A tal Câmara Técnica, a princípio, me lembra uma frase do folclore político brasileiro que diz: “Quando não se quer resolver um problema, basta criar uma comissão para discuti-lo e avaliá-lo”.

As outras intenções são excelentes, mas não fogem muito do script de promessas de político. Para cumpri-las, Ducci terá que fazer mágica em seis meses, já que 2012 ele deverá estar mais preocupado com a campanha eleitoral tentando a reeleição que com a necessidade dos ciclistas.

Aliás, se for apenas para fazer o mínimo esperado — executar o orçamento anual destinado a implantação e revitalização de infraestrutura cicloviária do município –, a prefeitura terá que trabalhar até o fim deste ano 15 vezes mais do que fez de janeiro até agora.

No primeiro semestre, o executivo municipal empenhou apenas R$ 126,2 mil (6%) dos R$ 2 milhões previstos no orçamento deste ano, de acordo com dados do site Curitiba Aberta. Lembrando que empenho é apenas o primeiro estágio de execução de uma despesa.

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Sem aplicar recursos previstos no PPA e na LDO, ciclovias curitibanas estão em péssimo estado

Também presente na reunião, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Cléver de Almeida, disse que o órgão fará um levantamento da real situação da malha de ciclovias da cidade. “O estudo dará a dimensão das necessidades de reformas e melhorias dessas ciclovias e, principalmente, do recurso que será preciso investir”.

Fica evidente que, até agora, faltou mais vontade política do que necessariamente dinheiro.

Mas, mesmo que as promessas caiam no vazio ou no limbo burocrático, essa já pode ser considerada uma grande vitória dos ciclistas da capital. A organização dos diversos segmentos envolvidos com a cultura da bicicleta em uma única associação amplifica a voz do movimento e aumenta o poder de pressão. A pedalada continua…

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