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Usar a canaleta é 4 vezes mais perigoso do que pedalar na rua

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Ciclista pedala na canaleta em Curitiba: risco calculado. (ACN/Ir e Vir de Bike)

Ciclista na canaleta: risco calculado. (ACN/Ir e Vir de Bike)

A probabilidade de um ciclista curitibano se envolver em um acidente de trânsito com um ônibus é dez vezes menor do que a de colidir com um carro. Porém, quando há o encontro indesejado entre um veículo do transporte público e uma bicicleta, as chances de que o ciclista seja hospitalizado com risco de perder a vida é quatro vezes maior do que em uma ocorrência com um veículo individual motorizado.

Em 2014, foram registrados 782 acidentes com ciclistas nas ruas de Curitiba, uma média de 2,1 casos por dia; 44% deste total envolveu carros e bicicletas e apenas 4,2% foram colisões entre ônibus e bicicleta.

Nas ocorrências com carros, 3,75% das vítimas foram internadas em estado gravíssimo enquanto nos acidentes com ônibus esse índice chegou a 15,5%. Os acidentes com carros apresentam um grau de letalidade de 0,3% enquanto, no ano passado, não foi contabilizada nenhuma morte de ciclista provocada por ônibus no local do acidente.

Os dados têm como base o Atlas da Acidentalidade com Bicicletas no Trânsito Urbano de Curitiba em 2014, um levantamento inédito feito pelo blog Ir e Vir de Bike com base nos registros de atendimentos prestados pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), do Corpo de Bombeiros do Paraná, entre os dias 1.º de janeiro e 31 de dezembro de 2014.

O levantamento revela que a maioria dos acidentes envolvendo bicicletas e ônibus ocorre na região central da cidade ou ao longo dos eixos estruturais – o que está relacionado ao hábito dos ciclistas circularem nas canaletas do ônibus expresso do sistema BRT.


A ideia de um “risco calculado” ajuda a explicar por que muitos ciclistas curitibanos insistem em pedalar nas canaletas apesar da proibição e dos riscos envolvidos nesta prática. “Uso a canaleta onde não existe infraestrutura. As canaletas percorrem a cidade toda e te levam para onde você quer. As ciclovias não. Além disso, na rua, o fluxo de carros é muito maior, há menos espaço e os carros passam muito mais próximos sem nos respeitar. Na canaleta o tráfego de ônibus é menor o que dá uma sensação de segurança e previsibilidade”, defende André Mesquita, que trabalha como bike courrier e é videomaker do canal PedalCWB no Youtube.

O ciclista, porém, reconhece os riscos de pedalar neste tipo de uso da via. “Não existe margem de erro. Se o ciclista se distrair e o ônibus o pegar, a chance de sobreviver é mínima. Mas como a probabilidade é bem menor e existe maior previsibilidade, é natural que o ciclista sinta-se mais seguro na canaleta”, justifica.

Mesquita compara as estruturas cicloviárias existentes ao longo das canaletas e defende o modelo de ciclofaixa, como o existente na Avenida Marechal Floriano, em detrimento do modelo de Via Calma, como o implantado na Avenida 7 de Setembro. “Na via calma os carros continuam competindo por espaço. Tanto que ali, muitos ciclistas ainda usam a canaleta”, aponta.

Já o ciclista e bike courrier André Beletti diz que só pedala nas canaletas em casos de extrema necessidade. “Procuro evitar ao máximo. No trecho da Marechal Floriano onde não há ciclofaixa, prefiro pedalar na rua. Por mais que a canaleta passe uma sensação de segurança, ela é totalmente falsa. Um momento de distração pode significar uma fatalidade. Por isso, é melhor não pagar para ver”, diz.

Histórico

Em Paris e outras cidades europeias, as vias de ônibus são compartilhadas com bicicletas. (Foto: ACN/Ir e Vir de Bike)

Em Paris, busão e bike compartilham.

O uso das bicicletas nas canaletas do ônibus expresso foi proibido em Curitiba no ano de 1995, pelos decretos n° 696/95 e n° 759/95, durante a gestão do prefeito Rafael Greca (ex-PFL, hoje no PMDB).

A proibição entrou em vigor após a morte de um menino que pegava “rabeira” de bicicleta em um dos ônibus, fato que chocou a opinião pública na época.

Os decretos em questão autorizavam, inclusive, a multa de ciclistas e apreensão de bicicletas que trafegavam na via dos ônibus expressos. Em apenas um mês de fiscalização, em setembro daquele ano, a Prefeitura apreendeu 49 bicicletas, das quais 22 foram devolvidas aos proprietários mediante o pagamento de multas.

As apreensões só foram suspensas após a Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, do Ministério Público do Paraná (MP-PR), mover um processo administrativo contra os decretos, por considerá-los inconstitucionais e sem amparo na Constituição Estadual e no Código Brasileiro de Trânsito.

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